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Arroba em Recorde: Hora do Espetinho de Frango?

Preco do boi gordo e do churrasco no Brasil

Se você abriu o aplicativo do açougue esta semana e deu uma coçada na cabeça, não está sozinho. Nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, o mercado do boi gordo segue em território inexplorado, com a arroba paulista renovando máximas nominais quase todo dia. Reuni o que o agro e a imprensa econômica publicaram nas últimas horas e juntei com as tendências de consumo para responder à pergunta que importa na hora de acender a brasa: o que vale a pena colocar no espeto agora?

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos.

Índice

Arroba em nova máxima: os números desta quinta (8)

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq renovou o recorde nominal na quinta-feira (8), com a arroba paulista cotada a R$ 376,30 e alta acumulada de 3,29% em outubro, segundo o SpaceMoney. O Canal Rural também destaca que os negócios em São Paulo andaram entre R$ 370 e R$ 380 por arroba, com lotes pontuais fechados a R$ 385.

O motivo, de acordo com as reportagens, é velho conhecido de quem acompanha o setor: falta de boi terminado. Pecuaristas reduziram, meses atrás, o envio de animais para confinamento por causa de incertezas no mercado externo, e agora os frigoríficos paulistas disputam um lote menor. Com as escalas de abate curtas, entre cinco e doze dias nas regiões acompanhadas pelo Cepea, o comprador tem pouca margem para esperar o preço cair.

Quem vê o noticiário só pelo lado do pecuarista pode achar que isso é um problema distante. Não é. A arroba mais cara no pasto costuma chegar ao balcão algumas semanas depois, e é por isso que o preço do quilo da carne no açougue do bairro tende a seguir subindo, ainda que não na mesma velocidade.

O que dizem os mercados regionais e o futuro

O Portal do Agronegócio, em levantamento publicado nesta sexta, mostra um mercado físico firme: em São Paulo os preços se mantiveram depois das altas dos dias anteriores, com escalas de cerca de uma semana. Em Goiânia, o boi subiu R$ 1,00 por arroba, a vaca R$ 2,00 e a novilha R$ 3,00. No sul de Goiás, o chamado “boi China” avançou R$ 5,00, com ágio de R$ 7,00 por arroba, sinal de que a demanda externa continua pesando.

No mercado futuro da B3, o contrato de outubro/26 fechou a R$ 388,50 por arroba, queda de 0,22%, e o de novembro/26 ficou em R$ 394,65. Dezembro e janeiro ficaram em torno de R$ 393 a R$ 394. Em português claro: o mercado não está apostando em alívio rápido. Na minha leitura, quem planeja um churrasco grande para o fim do ano deveria assumir que a carne bovina seguirá cara e montar o cardápio com isso em mente.

Outro dado que chama atenção é o do bezerro. O indicador Cepea/Esalq para Mato Grosso do Sul também atingiu recorde nominal, com média de R$ 3.478,44 por cabeça, o que mostra que a pressão de custos já começou lá no início da cadeia.

Por que a picanha não alivia

A picanha virou o termômetro popular desse cenário. Em reportagem de julho, a CNN Brasil informou que o quilo da picanha no atacado foi cotado a R$ 72,38 em junho de 2026, alta de 10,8% em 12 meses. A causa central é a virada do ciclo pecuário: depois do abate intenso de vacas e novilhas em 2023 e 2024, há menos matrizes e, portanto, menos bezerros chegando ao mercado.

A mesma reportagem lembra que o consumo per capita de carne bovina caiu cerca de 9% em 2025, para 31,9 quilos por pessoa, e cita o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, que prevê preços altos enquanto a oferta de gado para abate seguir restrita. Os números de julho são anteriores à nova rodada de recordes de outubro, então a tendência é que o quadro esteja, se algo, mais apertado hoje.

Espetinho de frango: a tendência que ganhou força

Se a carne bovina pesa, o consumidor se adapta, e o espetinho é onde isso aparece primeiro. Um estudo da Scanntech Brasil, divulgado em maio pela Folhapress e reproduzido pelo TNH1, apontava que o espetinho de frango e os petiscos de air fryer ganhariam espaço sobre o churrasco tradicional de carne bovina. O motivo é simples: os cortes de frango custam, em média, cerca de 44% menos que os de carne bovina, e em 2025 o brasileiro comprou 586 gramas de carne bovina para cada 950 gramas de frango.

Isso não significa abrir mão do sabor. Coxa e sobrecoxa desossadas, coração de frango, linguiça de frango e até peito marinado funcionam muito bem na brasa quando o fogo é moderado e o tempero é caprichado. O que muda é a estratégia: o frango entra como base da mesa, e a carne bovina vira o destaque, em porção menor e de melhor qualidade.

Como montar um churrasco inteligente neste fim de semana

  1. Divida a mesa em dois níveis. Um corte bovino de destaque e uma base de frango, linguiça e espetinhos de legumes. Nossa receita de espetinho de legumes na churrasqueira ajuda a encher o prato com custo baixo.
  2. Prefira cortes de melhor custo-benefício. Fraldinha, maminha, acém e lagarto rendem bem, como mostramos no guia de lagarto na churrasqueira.
  3. Marine com antecedência. Limão, vinagre, iogurte ou cerveja por algumas horas deixam o frango suculento e amaciam cortes bovinos mais firmes.
  4. Controle o fogo. Frango pede brasa média e tempo; pressa deixa o lado de fora queimado e o centro cru.
  5. Use o termômetro. O frango precisa estar bem cozido por dentro, e o termômetro tira o palpite da conta.
  6. Calcule a porção. Cerca de 400 gramas de carne por pessoa, somando os diferentes tipos, costuma ser suficiente quando há bons acompanhamentos.
  7. Compre perto da data. Com o mercado em movimento, olhar o preço por quilo em dois ou três lugares faz mais diferença do que qualquer promoção de embalagem.

Uma observação de quem faz churrasco há anos: o convidado raramente lembra o preço do corte, mas lembra se o pão de alho estava quente, se a farofa estava boa e se a carne chegou no ponto. Gaste energia nisso e a conta do açougue deixa de ser a protagonista da festa.

Conclusão

Boi gordo em recorde, futuros indicando preços firmes até o início de 2027 e uma picanha que não dá trégua desenham um cenário em que adaptar o cardápio deixou de ser opção e virou rotina. A boa notícia é que o espetinho, especialmente o de frango, sempre foi a porta de entrada mais democrática da brasa. Com tempero, fogo certo e um corte bovino bem escolhido para brilhar, o churrasco do fim de semana continua sendo a festa de sempre, só que mais esperta.

Perguntas frequentes

Quanto está a arroba do boi gordo em outubro de 2026?

Segundo SpaceMoney e Canal Rural, o Indicador Cepea/Esalq para São Paulo registrou recorde nominal de R$ 376,30 por arroba na quinta-feira (8), com negócios entre R$ 370 e R$ 380. Para o valor oficial do dia, consulte o site do Cepea.

Os preços da carne devem cair em breve?

Os contratos futuros da B3 para novembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027 ficaram entre R$ 393 e R$ 395 por arroba, o que indica que o mercado não espera queda rápida.

O espetinho de frango é mesmo uma alternativa mais barata?

De acordo com a Scanntech Brasil, os cortes de frango custam em média cerca de 44% menos que os de carne bovina, e a consultoria apontava o espetinho de frango como uma das tendências do churrasco em 2026.

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