Tempo de leitura: 6 minutos · Atualizado em 18 de outubro de 2026
Domingo de brasa acesa e a pergunta de sempre: vale insistir na picanha ou está na hora de testar outra coisa? Nas últimas semanas, a imprensa brasileira mostrou dois movimentos que andam juntos. De um lado, o defumado saiu do nicho e virou assunto sério nos festivais de carne. De outro, cortes que ninguém olhava duas vezes, como fraldinha, acém e bananinha, ganharam espaço na grelha por causa do preço. Reunimos o que saiu de mais útil, com os links das fontes, para você planejar o próximo churrasco.
Neste artigo
- O que o Festival da Carne mostrou em Campo Grande
- Defumado, parrilha e fogo de chão: quem manda?
- Cortes que podem surpreender sem pesar no bolso
- Por que o preço da carne empurra essa mudança
- Como assar cada corte do jeito certo
- Perguntas frequentes
- Conclusão
O que o Festival da Carne mostrou em Campo Grande
Entre 25 e 27 de setembro, a quarta edição do Festival Internacional da Carne reuniu mais de 30 estações, com entrada gratuita, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. O jornal A Crítica aproveitou o evento para conversar com dez assadores e donos de casas de carne sobre o futuro do churrasco em Mato Grosso do Sul, e a conversa rendeu um retrato bem honesto do momento.
O que mais chama atenção é a convivência de estilos. Tinha defumado ao estilo americano, parrilha argentina, costela no fogo de chão e até comida pantaneira de comitiva, com carreteiro e macarrão. Segundo a reportagem, o feijão gordo da Comitiva Silvio Barboza acabou antes do fim do festival, sinal de que a comida raiz continua com público fiel. Para nós, esse é o ponto principal: ninguém está aposentando a brasa tradicional, o cardápio é que está ficando maior.
Defumado, parrilha e fogo de chão: quem manda?
Os números trazidos pela reportagem ajudam a entender o tamanho da novidade. André Medina, da Casa Medina, começou no American Barbecue em 2022 e vende o brisket a R$ 150 o quilo, enquanto o peito de boi, a matéria-prima, custa cerca de R$ 32 o quilo. A diferença está no tempo, no controle da temperatura e na técnica, e o público parece disposto a pagar por isso.
Também há adaptação ao paladar brasileiro. Fábio Rech, da Defumare, que estreou no festival, tirou a pimenta da receita texana para agradar ao gosto local. Já Gledson Soares, do Mamutes BBQ, venceu a categoria de defumados no Ibero-Americano, em Esteio (RS), em maio, na primeira competição que disputou na modalidade. Para ele, o churrasco ancestral perdeu espaço para a parrilha e os defumados, opinião que divide a mesa.
Do outro lado, assadores como Danilo Loubet e Jamil Siqueira seguem com costela no fogo de chão, de seis a sete horas de cocção. Thiago Duenha, da BBQ Meat, resume bem: o público já conhece a parrilha e o fogo de chão, e o defumado ainda está em fase de aprendizado. E Thiago Chiarapa, da TBC Meat, observa que as pessoas estão trocando volume por qualidade, enxergando o churrasco americano mais como influência do que como ameaça. Na nossa leitura, essa troca de volume por qualidade explica boa parte do que vem a seguir.
Cortes que podem surpreender sem pesar no bolso
Se a qualidade importa mais que a quantidade, a pergunta vira: como comer bem gastando menos? O Diario de Pernambuco publicou em 18 de agosto um guia de cortes alternativos à picanha e à alcatra. Três nomes aparecem na matéria:
- Acém com osso: tem fibras firmes e bastante tecido conjuntivo, por isso rende mais na cocção lenta. A dica é começar longe da brasa e aproximar do fogo no final, para formar a crosta.
- Fraldinha: sabor marcante e fibras longas, cozinha rápido. Sele em fogo alto, baixe a temperatura, deixe descansar e fatie contra as fibras.
- Bananinha: vem da região próxima às costelas e tem gordura entremeada, que mantém a carne úmida. A peça é pequena e pede atenção ao fogo; também funciona em pedaços, como aperitivo.
Em março, o O Antagonista já apontava o mesmo caminho: a picanha continua símbolo do churrasco brasileiro, mas divide a grelha com fraldinha, ancho e partes do dianteiro, que deixaram de ser “plano B” quando bem cortadas e bem preparadas. No porco, o texto cita linguiça de melhor qualidade, copa lombo, pancetta e costelinha como formas de ampliar o cardápio sem elevar muito o custo.
Gostou da ideia do porco? Temos uma receita completa de espetinho de porco na churrasqueira para você testar no próximo fim de semana.
Por que o preço da carne empurra essa mudança
A mesma matéria do Diario de Pernambuco traz um dado que explica a pressa em procurar alternativas: no Rio Grande do Sul, a carne bovina ficou 15,41% mais cara em um ano, até abril de 2026, enquanto o IPCA acumulou 4,14% até março. É um recorte regional, e não vale tratar como média do país, mas mostra que o bovino subiu bem acima da inflação geral. O texto de O Antagonista lembra ainda que a demanda externa, principalmente da China, segue forte e pressiona os preços.
Na prática, o consumidor está fazendo conta. E fazer conta, em vez de cortar o churrasco, tem levado a escolhas mais inteligentes: misturar um corte nobre com opções mais acessíveis, testar peças antes subestimadas e variar as proteínas. Um espetinho de frango ao lado da fraldinha, por exemplo, segura o orçamento sem deixar a mesa sem graça.
Para não comprar carne demais, vale usar nosso guia de quanto de carne por pessoa. Cada quilo que sobra na geladeira é dinheiro que poderia ter virado cerveja gelada.
Como assar cada corte do jeito certo
Corte barato só vale a pena se o fogo for ajustado. Algumas regras simples, que também aparecem nas matérias citadas:
- Peças que pedem mais tempo, como o acém, vão melhor no fogo indireto.
- Peças rápidas, como a fraldinha, pedem calor alto e retirada no ponto.
- Evite furar ou virar a carne toda hora, para preservar os sucos.
- Deixe descansar alguns minutos antes de fatiar, sempre contra as fibras.
Uma marinada simples também ajuda muito nos cortes mais firmes. Veja nosso passo a passo de marinada para churrasco e o ponto da farofa crocante para acompanhar.
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Perguntas frequentes
O que é brisket e por que custa tanto?
É o peito bovino defumado por muitas horas em baixa temperatura, técnica do American Barbecue. Segundo A Crítica, uma casa de Campo Grande vende o brisket a R$ 150 o quilo, contra cerca de R$ 32 do quilo do peito de boi cru. O preço paga o tempo de cocção e a técnica.
Qual corte barato dá certo no churrasco?
Fraldinha, acém com osso e bananinha foram destacados pelo Diario de Pernambuco. Cada um pede um fogo diferente: fraldinha rápida e em calor alto, acém lento e em fogo indireto.
O defumado vai substituir o churrasco tradicional?
Pelos relatos do festival, não. Os assadores ouvidos tratam o defumado como influência e novidade em aprendizado, e o fogo de chão e a parrilha seguem com público fiel.
Conclusão
O recado do momento é escolher melhor, e não deixar de assar. O defumado amplia o repertório de quem gosta de técnica, e os cortes alternativos mostram que dá para montar uma mesa generosa sem depender só da picanha. Teste uma peça nova no próximo fim de semana, ajuste o fogo e compare preços no seu açougue. Siga o Espetinhos & Churrascos Club para mais novidades do dia.
Fontes consultadas: A Crítica (festival de 25 a 27/9/2026), Diario de Pernambuco (18/8/2026) e O Antagonista (19/3/2026). Alguns dados são de datas anteriores e servem de contexto; confira os preços no seu açougue.

