Mudanças – Karoline Nogueira |

Meu filho saiu para a escola há meia hora e desde então estou sentada olhando o café esfriar na xícara. A vida vai pouco a pouco ganhando as ruas. Um dia talvez meus netos leiam essa crônica e questionem minha tristeza. “Não é tristeza”, vou dizer. São tantos e também tão poucos os motivos, tudo é relativo, mas ainda assim sentimental. 

Hoje o “gosto” do café é diferente, quis experimentar outra marca e encontrei algumas memórias. A mesma necessidade de sol que minha avó Linda sentia quando precisava secar os grãos de café. Faz muito tempo que minha família não se reúne em volta da mesa. Seus risos são meu sol particular. 

Ontem, li algo muito interessante sobre decisões e mudanças: às vezes são difíceis porque pensamos no que perdemos ou no que outros vão pensar que perdemos. 

Só é possível perder o que não vivemos. E tendo vivido tudo se transforma. Faz 4 meses que mudei, e tudo que vivi, ganhei. E mudança é coisa que acostuma. Tendo mudado uma vez, se quer mudar sempre, mesmo sem sair do lugar. 

Preciso sair e comprar pão. Responder e-mails e fazer ligações. Molhar a roseira que comprei pra minha mãe. Aspirar tapetes e o sofá. Tenho fotos pra editar e um livro de poesias quase pronto pra enviar. Algumas metas não vou mesmo alcançar, mas sinto uma estranha tranquilidade. Moro numa rua calma em Curitiba, ouço sapos e passarinhos, quem diria…

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