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A segunda-feira, 10 de agosto, começa com uma leitura mista para quem vive do churrasco no Brasil. De um lado, as churrascarias fecham o fim de semana do Dia dos Pais com números de faturamento entre os melhores do ano. De outro, o mercado da carne mostra sinais contraditórios: enquanto o preço da picanha nas prateleiras do varejo surpreende com uma queda de até 26% na comparação anual, o atacado segue pressionado pelo ciclo pecuário, e a arroba do boi recua de leve nesta segunda-feira depois de patamares recordes nas últimas semanas. Somando a isso um novo recorde nas exportações e a inauguração de mais uma churrascaria premium em São Paulo, reunimos abaixo o retrato completo do dia para quem acompanha o setor.
- Dia dos Pais bate recorde de movimento nas churrascarias
- Picanha cai até 26% no varejo, mas atacado ainda pesa no bolso
- Arroba do boi recua de leve nesta segunda-feira
- Exportações de carne bovina batem recorde histórico no semestre
- D’Brescia Churrascaria inaugura sexta unidade premium
- O que isso significa para o seu churrasco de fim de semana
Dia dos Pais bate recorde de movimento nas churrascarias
O domingo, 9 de agosto, confirmou o que o setor já esperava: segundo pesquisa da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), 76% dos estabelecimentos previam vender mais do que no Dia dos Pais de 2025, e 77% dos empresários estimavam faturamento acima da média de um fim de semana comum. Entre os que projetavam crescimento, 59% esperavam alta de até 20%, e outros 18% apostavam em um salto ainda maior. Gestores de churrascarias espalhadas pelo país confirmam que a data segue superando o Dia dos Namorados em faturamento, ficando atrás apenas do Dia das Mães entre as datas comemorativas mais fortes do calendário gastronômico.
Na prática, quem trabalha no salão relatou casas cheias desde o almoço, com fila de espera em vários endereços — mesmo em um ano de carne mais cara. Na nossa leitura, o fato de o movimento continuar recorde mesmo com o preço da arroba nos maiores patamares em quatro anos mostra que, para o brasileiro, cortar o churrasco de uma data especial em família ainda não é opção: primeiro se corta em outro lugar do orçamento.
Picanha cai até 26% no varejo, mas atacado ainda pesa no bolso
A notícia que pegou muita gente de surpresa nesta semana veio do varejo: segundo levantamento divulgado pela Central do Varejo, com base em dados de notas fiscais da Neogrid, o quilo da picanha bovina nas prateleiras caiu de R$ 81,86 em abril de 2025 para R$ 60,70 em abril de 2026 — recuo de 25,9%. A fraldinha teve queda ainda maior, de 38,6%, saindo de R$ 72,25 para R$ 44,37 o quilo, enquanto o ancho recuou 19,6% e a costela bovina, 21,6%.
O detalhe é que esse dado conversa mal com o que vem sendo registrado no atacado: segundo a CNN Brasil, o quilo da picanha vendida pelos frigoríficos aos açougues e restaurantes chegou a R$ 72,38 em junho, alta de 10,8% em 12 meses por causa da virada do ciclo pecuário — menos fêmeas disponíveis para abate depois do descarte intenso dos anos anteriores. Ou seja: o custo de produção sobe, mas a concorrência entre supermercados parece estar segurando o preço final na gôndola, pelo menos por enquanto. Na prática, isso significa que vale a pena comparar preços entre o açougue de bairro e o supermercado antes de fechar a compra do fim de semana — a diferença pode ser maior do que parece.

Arroba do boi recua de leve nesta segunda-feira
Depois de bater US$ 70 no mercado internacional e romper a barreira dos R$ 370 no atacado nas últimas semanas, a arroba do boi gordo deu um respiro nesta segunda-feira. Em São Paulo, a referência mais acompanhada do país, o preço foi negociado a R$ 347,50, queda de 0,23% em relação ao pregão anterior, segundo dados agregados por Melhor Câmbio e Pecuária.com.br. Nos demais estados, os valores seguem em patamar elevado: Mato Grosso do Sul fechou a R$ 331,00, Minas Gerais a R$ 330,00, Goiás a R$ 325,00, Mato Grosso a R$ 322,00 e Rio de Janeiro a R$ 336,00.
O recuo é pontual e não muda o quadro geral: analistas do setor seguem apontando o segundo semestre como período de preços firmes, com o ciclo pecuário ainda retendo fêmeas para reposição do rebanho. Ainda assim, um dia de queda depois de tantas semanas de alta chama atenção — e para quem compra em grande volume, como churrascarias e distribuidores, cada centavo de recuo na arroba já ajuda a segurar a margem.
Exportações de carne bovina batem recorde histórico no semestre
Enquanto o consumidor brasileiro sente o preço no bolso, o setor exportador comemora um semestre histórico. Segundo dados divulgados pelo Canal Rural, as exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 33,4% sobre o mesmo período de 2025, com volume de 1,811 milhão de toneladas — avanço de 7,3%. A China segue como grande motor desse resultado: as vendas para o mercado chinês cresceram 50,3% no semestre, somando US$ 4,818 bilhões, e já respondem por 53% de toda a carne bovina in natura exportada pelo Brasil.
Há, porém, um alerta no horizonte: segundo a Abrafrigo, a cota chinesa de importação para 2026, fixada em 1,106 milhão de toneladas, já deve ter sido preenchida com os embarques até junho. A partir de julho, os volumes que excederem a cota ficam sujeitos a uma sobretaxa de 55%, o que deve reduzir o ritmo de vendas para a China no segundo semestre. O que pouca gente sabe é que esse tipo de “freio” na exportação costuma sobrar carne no mercado interno — um dos fatores que pode ter ajudado a explicar a queda de preço da picanha no varejo mencionada mais acima.
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D’Brescia Churrascaria inaugura sexta unidade premium
No radar de quem acompanha o mercado de churrascarias, a rede D’Brescia confirma para agosto a abertura da sua sexta unidade, no km 18 da Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), segundo o Repórter Diário. O investimento de R$ 18 milhões resulta em uma casa classificada pela própria rede como “unidade premium”, reforçando a aposta do setor em experiências mais sofisticadas mesmo em um cenário de carne cara.
O movimento acompanha outra novidade do ano: a Churrascaria Santo Antônio, considerada a primeira churrascaria do Brasil e que completou 91 anos em 2026, também anunciou planos de expansão para os próximos meses, segundo reportagem da Expansão. Na nossa avaliação, essas duas notícias juntas mostram que, apesar da pressão nos custos, o setor de churrascarias segue confiante o suficiente para investir em novas unidades — uma aposta de que a demanda do brasileiro por carne na brasa continua firme no médio prazo.

O que isso significa para o seu churrasco de fim de semana
Juntando as peças do dia: a arroba deu uma trégua pontual, o varejo de picanha surpreendeu com preços mais baixos que há um ano, mas o atacado e o ciclo pecuário seguem pressionando o custo de quem compra em volume — como churrascarias e açougues. Para quem vai acender a churrasqueira em casa neste fim de semana, a recomendação prática é pesquisar preço entre pelo menos dois ou três pontos de venda antes de fechar a compra, já que a diferença entre varejo e atacado parece estar mais larga do que o normal neste momento. Cortes alternativos como fraldinha e maminha, que também tiveram quedas relevantes no levantamento da Central do Varejo, seguem como opção interessante para render mais sem abrir mão do sabor.
Conclusão
O retrato do churrasco brasileiro nesta segunda-feira, 10 de agosto, é de contrastes: churrascarias lotadas no Dia dos Pais, exportações batendo recorde histórico, uma nova churrascaria premium a caminho de São Bernardo — e, ao mesmo tempo, uma rara boa notícia para o bolso do consumidor, com a picanha mais barata no varejo do que há um ano. O cenário de fundo, com o ciclo pecuário ainda pressionando o atacado, segue pedindo atenção, mas o dia de hoje mostra que o setor sabe se adaptar e que, para o brasileiro, o churrasco continua sendo prioridade de orçamento.
Perguntas frequentes
Por que a picanha ficou mais barata no varejo, se o atacado está em alta?
Os dois mercados respondem a lógicas diferentes: o atacado reflete diretamente o custo de produção do boi, pressionado pelo ciclo pecuário, enquanto o preço no varejo também é influenciado pela concorrência entre redes de supermercado e por eventuais excedentes de oferta no mercado interno, como o esperado com a redução do ritmo de exportação para a China no segundo semestre.
Vale a pena aproveitar a queda de preço da picanha no supermercado agora?
Sim, mas vale comparar preços entre diferentes pontos de venda, já que a queda registrada é uma média nacional e pode variar bastante de região para região e até entre redes de supermercado na mesma cidade.
Por que tantas churrascarias estão expandindo mesmo com a carne mais cara?
Redes como D’Brescia e Santo Antônio apostam que a demanda do brasileiro por carne na brasa segue firme no médio prazo, especialmente em datas fortes como o Dia dos Pais, que segundo a Abrasel supera o Dia dos Namorados em faturamento no setor de alimentação fora do lar.
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