Tempo de leitura: 7 minutos
Quem foi ao mercado nas últimas semanas já sentiu: o churrasco de feriado não pesa só na carne. Nesta segunda-feira, 2 de novembro, Dia de Finados e feriado nacional, muita gente vai acender a brasa, e os números mais recentes mostram que o vinagrete, a farofa e o arroz do prato também pesaram no bolso. Reunimos aqui os dados mais recentes que encontramos, com links para as fontes, para você planejar o churrasco sem susto.
O que o IPCA-15 de outubro mostra
O IBGE divulgou em 23 de outubro o IPCA-15 de outubro de 2026, a prévia da inflação oficial, com coleta de preços entre 16 de setembro e 14 de outubro. O índice geral subiu 0,32%, abaixo dos 0,70% de setembro, mas o acumulado em 12 meses chegou a 4,62%, segundo a cobertura do Investidor10.
O grupo que mais pressionou foi justamente o de alimentação e bebidas, com alta de 0,88%. A alimentação no domicílio acelerou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro. Já a alimentação fora de casa subiu 0,56%, com as refeições avançando de 0,38% para 0,61%, o que também interessa a quem pensa em levar a família a uma espetaria no feriado. Os mesmos números aparecem na análise do BP Money.
Um detalhe importante, para ficar claro desde já: nas duas reportagens que consultamos, o desempenho específico das carnes não aparece. Então não vamos afirmar que a carne subiu ou caiu no IPCA-15 de outubro. O que os números mostram com clareza são os itens que acompanham a carne na mesa.
Tomate, cebola e arroz: o vinagrete ficou mais caro
Aqui está o dado que mais chama atenção para quem faz churrasco: o tomate subiu 24,54% no IPCA-15 de outubro, a cebola 13,63%, a batata-inglesa 10,96% e o arroz 5,80%. Na outra ponta, a cenoura caiu 10,67%, as frutas 1,37% e o café moído 1,16%.
Pense no que isso significa na prática. O vinagrete tradicional leva tomate, cebola e pimentão, ou seja, dois dos três itens que mais subiram. A batata assada na brasa e o arroz que acompanha o espetinho também entraram na lista de altas. Na nossa leitura, o prato “de gente que gosta de churrasco” ficou mais caro justamente nos acompanhamentos, que muita gente achava que eram a parte barata da conta.
O gás de botijão também subiu 1,28% no período. Se você prepara a farofa ou o vinagrete no fogão antes de ir para a churrasqueira, vale lembrar disso, embora o impacto seja pequeno perto do que acontece com o tomate.

Uma dica prática: como o tomate encareceu muito, vale ajustar a proporção do vinagrete. Mais cebola picada fina e pimentão, menos tomate, e um pouco de coentro ou salsinha fazem volume sem perder sabor. Nem toda mesa precisa de uma travessa gigante; no feriado, uma tigela média costuma bastar para quatro pessoas.
E a carne? O retrato da Neogrid
Se o IPCA-15 não nos dá a resposta sobre as carnes, outro levantamento ajuda. A Neogrid analisou cerca de 40 milhões de notas fiscais e comparou abril de 2026 com abril de 2025, e o resultado foi publicado pelo InfoMoney em 12 de maio. Atenção: são dados de abril, não de hoje, então servem como retrato de tendência e não como preço de balcão.
- Picanha: de R$ 81,86 para R$ 60,70 o quilo, queda de 25,9%.
- Fraldinha: de R$ 72,25 para R$ 44,37 o quilo, queda de 38,6%.
- Ancho: queda de 19,6%; costela bovina: queda de 21,6%.
- Maminha: alta de 4,3%; alcatra: alta de 12,3%.
- Frango inteiro: queda de 12,4%; coxa: queda de 10,9%.
- Linguiças: estáveis. Cerveja clara: alta de 0,7%; artesanal: queda de 4,6%.
O recado do levantamento é curioso: em abril, a fraldinha e a picanha ficaram bem mais baratas do que um ano antes, enquanto maminha e alcatra subiram. Para quem monta a lista de compras, isso reforça uma regra simples: compare o preço por quilo de mais de um corte antes de decidir, em vez de comprar sempre o mesmo por hábito. Para guardar o que sobrar, vale conferir nosso guia de sobras de churrasco.
Cortes alternativos e molhos em alta
Se o orçamento aperta, a imprensa especializada tem sugerido olhar para além da picanha. Em reportagem de 24 de abril de 2026, Dia Nacional do Churrasco, a Forbes Brasil ouviu a chef Paula Labaki e a criadora de conteúdo Ju Lima sobre cortes menos óbvios.
Entre os citados estão a fraldinha de raça Hereford, com fibras longas e marmoreio natural (a dica é fatiar contra a fibra e servir ao ponto), o chorizo Nelore, o T-bone, a entranha, o flat iron, o Denver steak, a mogerra e até o prime rib suíno. A chef Labaki sugere ainda defumar um corte como o ancho por cerca de 20 minutos antes de levar à grelha. Para os molhos, ela vê tendência de mostarda e mel, poivre e demi-glace, e mantém salada e legumes como acompanhamentos seguros.
Nem tudo isso cabe num churrasco de quintal, claro. Mas a ideia de fundo serve para qualquer orçamento: variar o corte e caprichar no tempero rende mais do que insistir no corte mais famoso. Se o vinagrete está caro, um bom molho e uma salada de folhas podem fazer o papel do acompanhamento.
O que o mercado de espetinhos ensina
O espetinho é, para muita gente, a porta de entrada do churrasco, e quem vende sabe lidar com custo. Segundo um guia do fornecedor de sistemas Saipos, a espetaria atrai empreendedores pelo baixo custo de investimento, e uma operação pequena custa de R$ 8 mil a R$ 15 mil. O material cita ainda que o Brasil é o terceiro país em consumo de carnes entre os 38 da OCDE, com cerca de 24,6 kg por pessoa ao ano. Como o texto vem de uma empresa do setor, vale tratar os números como indicativos.
O que interessa ao consumidor está no cardápio: além de carne bovina, frango, linguiça e kafta, as espetarias trabalham com opções vegetarianas, e cortes nobres como picanha e filé mignon entram para elevar o ticket médio. Em outras palavras, o espetinho permite montar um churrasco com ótimo custo-benefício misturando frango, linguiça e legumes, e reservando um ou dois espetos de corte nobre só para dar charme. Se você ainda está decidindo o material, veja nossa comparação entre espeto de metal e bambu.
Como montar o churrasco gastando menos
Juntando o que os dados mostram, dá para tirar um plano simples para o feriado e para as próximas semanas:
- Compare cortes por quilo. Fraldinha e costela ficaram mais baratas em abril; maminha e alcatra subiram. O preço de hoje pode ser outro, então confira na prateleira.
- Misture proteínas. O frango inteiro e a coxa também ficaram mais baratos, e a linguiça estável ajuda a rechear o espeto. Veja nosso passo a passo de linguiça na churrasqueira.
- Refaça o vinagrete. Com o tomate em alta, aumente a cebola e o pimentão e compre só o tomate necessário.
- Leve a brasa para os legumes. A batata na churrasqueira sobe de preço, mas outros legumes assados na brasa, como cogumelos, entram bem; confira o cogumelo recheado.
- Use o que já tem. Reaproveitar sobras reduz o desperdício e o custo da semana.
Se você quer comparar com o custo de um churrasco completo, releia nossa matéria sobre o churrasco para 4 pessoas no Paraná, e acompanhe a evolução do mercado na matéria de ontem, sobre o boi gordo em recorde.

Conclusão
O quadro desta segunda-feira é de um churrasco em que a carne, pelo menos nos dados de abril, ficou mais acessível em vários cortes, mas os acompanhamentos ficaram mais caros: tomate, cebola, batata e arroz subiram forte no IPCA-15 de outubro. Não dá para cravar o preço do corte hoje, porque os dados que encontramos de carnes são mais antigos, mas dá para planejar com inteligência: variar cortes, misturar proteínas e ajustar o vinagrete. Bom feriado e boa brasa.
Perguntas frequentes
Quanto o tomate subiu no IPCA-15 de outubro de 2026?
O tomate subiu 24,54%, segundo o IBGE. A cebola subiu 13,63%, a batata-inglesa 10,96% e o arroz 5,80%, de acordo com a cobertura do Investidor10 e do BP Money.
A picanha está mais barata?
Em abril de 2026, segundo levantamento da Neogrid divulgado pelo InfoMoney, a picanha custava R$ 60,70 o quilo, queda de 25,9% sobre abril de 2025. É um dado de abril, então confirme o preço atual no seu mercado.
Como economizar no vinagrete com o tomate caro?
Aumente a proporção de cebola e pimentão, use menos tomate e acrescente ervas frescas como coentro ou salsinha. Assim o vinagrete rende o mesmo volume com menos custo.




