Churrasco em Outubro: Frango Ganha Espaço e Boi Gordo Segue Caro

Tempo de leitura: 6 minutos · Atualizado em 21 de outubro de 2026

Se você achou que a conta do açougue está pesando mais a cada fim de semana, os números do mercado confirmam a sensação. A arroba do boi gordo fechou a sexta-feira, 16 de outubro, em R$ 380,70 no indicador Cepea/Esalq em São Paulo, enquanto o frango resfriado subiu menos no atacado e ganhou competitividade frente às outras proteínas. Neste resumo do dia, reunimos o que está acontecendo com os preços, o que os assadores estão dizendo nos festivais e como isso muda a sua grelha.

1. Boi gordo começa a semana em R$ 380,70

De acordo com o Portal do Agronegócio, o indicador Cepea/Esalq para o boi gordo à vista em São Paulo chegou a R$ 380,70 por arroba no fechamento de sexta-feira (16), com alta diária de 0,13%. É o último fechamento disponível, e não uma cotação de segunda-feira. Em Barretos e Araçatuba, a Scot Consultoria registrou R$ 376,00 à vista e R$ 380,00 em 30 dias, valores brutos e com condições comerciais próprias.

As escalas de abate também chamam atenção: cerca de 8 dias em São Paulo, 10 dias no norte e no sudoeste de Mato Grosso e cerca de 4 dias em Santa Catarina. Na prática, os frigoríficos têm boi programado por pouco mais de uma semana, o que dá força ao vendedor. Na nossa leitura, enquanto a oferta de animais prontos não folgar, o preço da carne bovina no balcão dificilmente cede de forma consistente.

2. Frango ganha competitividade; suíno dispara no atacado

Uma análise do Cepea publicada pelo Feed&Food em 16 de outubro mostra que, com dados parciais até o dia 14, o frango resfriado fechou a R$ 8,51 por quilo em São Paulo no dia 15 (alta de 2,41% no mês) e o congelado a R$ 8,49 (alta de 2,29%). Já a carcaça suína especial, no atacado da Grande São Paulo, foi cotada a R$ 9,97 por quilo, com valorização de 17,29% no mês, a maior entre as três proteínas.

A carcaça bovina casada também subiu mais do que o frango no período, ajudada pela demanda depois do pagamento dos salários. Ou seja: o frango ficou mais caro em termos absolutos, mas encareceu menos do que o boi e o porco, e por isso ganhou vantagem relativa. Vale lembrar que são preços de atacado, que não chegam iguais ao consumidor.

Frango e carne suina crua em tabua de madeira

3. O que o IPCA de setembro mostrou nas carnes

Segundo a Agência Brasil, o IPCA de setembro ficou em 0,82%, divulgado pelo IBGE em 9 de outubro. A alimentação no domicílio subiu 0,96%, depois de três meses seguidos de queda, e o grupo de carnes avançou 0,63%. No varejo, o frango inteiro caiu 1,96% e o frango em pedaços recuou 1,41%.

O Misto Brasil destaca, em matéria de hoje, que o frango aparece como alternativa mais barata à carne bovina, enquanto hortaliças como tomate (37,76%) e batata-inglesa (24,07%) tiveram altas fortes no período. Para quem monta vinagrete e acompanhamentos, isso também pesa na conta final do churrasco.

4. Frango custa 44% da carne bovina, diz Scanntech

Um estudo da Scanntech Brasil, noticiado pela Folhapress e reproduzido no TNH1 em maio, aponta que os cortes de frango custam, em média, 44% do preço da carne bovina. Em 2025, a cada 950 gramas de frango, o consumidor levou 586 gramas de carne bovina para casa. A consultoria também registrou aumento de 24% nas vendas em dias de véspera de jogo da Copa.

É um dado de maio, anterior à alta recente do boi, mas ajuda a entender por que o espetinho de frango, de coração e de linguiça ocupa tanto espaço nas grelhas de rua. Se você quer aproveitar essa tendência, o nosso guia de espetinho de coração de frango na churrasqueira traz o passo a passo.

5. Defumado e parrilha no Festival da Carne de Campo Grande

Na quarta edição do Festival Internacional da Carne, em Campo Grande (MS), realizada de 25 a 27 de setembro, o jornal A Crítica ouviu dez assadores sobre o futuro do churrasco. O defumado, no estilo American Barbecue, aparece como a tendência de maior crescimento, seguido da parrilha. O espeto e o fogo de chão são vistos como tradição que corre o risco de ficar de lado, embora ainda tenham público fiel.

Um dos números que mais chamou atenção: o peito de boi usado no brisket, que custava R$ 32 o quilo, passou a ser vendido a R$ 150. Outros assadores defendem que as técnicas novas complementam a tradição, sem substituí-la, e que o público está trocando volume por qualidade. Na costela no fogo de chão, o tempo de cocção segue entre seis e sete horas, o que atrai clientes justamente pela espera.

Peito bovino defumado fatiado ao lado de defumador

6. Como montar a grelha sem estourar o orçamento

Com a arroba em alta e o suíno encarecendo no atacado, a estratégia mais sensata é diversificar. Algumas ideias práticas:

  • Misture proteínas: combine um corte bovino de qualidade com frango e linguiça, em vez de comprar só carne vermelha.
  • Calcule a quantidade: errar na mão é o jeito mais rápido de desperdiçar dinheiro. Use nossa conta de quanto de carne por pessoa.
  • Invista na marinada: cortes mais em conta ficam bem mais macios com a marinada certa.
  • Use termômetro: o ponto perfeito evita carne passada e dinheiro jogado fora.
  • Compare preços entre açougues: as diferenças regionais de arroba chegam a vários reais, e o repasse varia de loja para loja.

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Perguntas frequentes

A carne bovina vai ficar mais barata em breve?

Os dados mais recentes apontam o contrário no curto prazo: o boi gordo está em patamar recorde e as escalas de abate são curtas. Só uma melhora clara na oferta de animais prontos deve aliviar o preço no açougue.

Frango é mesmo mais barato que carne bovina para churrasco?

Sim. O estudo da Scanntech indica que os cortes de frango custam, em média, 44% do preço da carne bovina, e o IPCA de setembro mostrou queda no frango inteiro (1,96%) e em pedaços (1,41%).

Os preços do atacado chegam iguais ao consumidor?

Não. Os indicadores do Cepea são de atacado e servem de termômetro. O repasse ao varejo depende da região, do açougue e da margem de cada loja.

Conclusão

O quadro desta semana é de boi gordo em patamar recorde, suíno pressionado no atacado e frango em posição relativamente confortável. Para o churrasqueiro, a saída é planejar melhor, misturar proteínas e valorizar técnica no lugar de volume. Os festivais mostram que o público está disposto a pagar por qualidade, e a sua grelha também pode ganhar com isso. Acompanhe as notícias diárias aqui no Espetinhos & Churrascos Club.

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