Exportação de Carne Cai 35% e Arroba Segue em Alta: O que Muda no Churrasco

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Domingo é dia de churrasco, e quem foi ao açougue nas últimas semanas já percebeu: a carne bovina continua cara, e os números do setor ajudam a entender o porquê. Nesta edição de domingo (25/10/2026), reunimos o que há de verificável sobre a arroba em patamar recorde, a queda das exportações para a China, o frango ganhando espaço na grelha e o movimento dos assadores profissionais. Cada dado vem com a fonte, para você conferir por conta própria.

Arroba em recorde: o que mostram os números de outubro

O boi gordo começou outubro em alta. De acordo com o Seu Crédito Digital, em reportagem de 5 de outubro, a arroba chegou a R$ 369,90 pelo Cepea, novo recorde nominal. O mesmo texto aponta que o bezerro passou de R$ 520 por arroba e que alguns contratos para o fim de 2026 já negociavam perto de R$ 400.

Os fatores citados são conhecidos: oferta limitada de animais prontos para o abate, demanda firme no mercado interno, com o 13º salário e o consumo de fim de ano no horizonte, compras da China e preços mais altos da carne bovina nos Estados Unidos. A própria reportagem faz uma ressalva importante: preços futuros são expectativa, não garantia de que o mercado físico chegará lá.

Na nossa leitura, o recado para o consumidor é de cautela. Quando o boi sobe no campo, o açougue costuma repassar aos poucos, e dezembro, com ceia e confraternizações, tende a ser o mês em que a conta chega com mais força. Já falamos desse movimento em Arroba a R$ 384 e Churrasco Pesa no Bolso.

Exportações caem 35% em setembro

O outro lado da moeda é o comércio exterior. Segundo a Safras & Mercado, que divulgou os dados da Abiec em 7 de outubro, o Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina em setembro de 2026, queda de 35,1% sobre as 353,1 mil toneladas do mesmo mês de 2025. A receita foi de US$ 1,38 bilhão, 27,6% menor.

O motivo principal é a salvaguarda chinesa: os embarques para a China somaram apenas 12,9 mil toneladas em setembro, queda de 93,2% em volume. Em compensação, os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas, alta de 389%, e o Chile, 19,4 mil toneladas, alta de 87,2%. No acumulado de janeiro a setembro, o país embarcou 2,43 milhões de toneladas, praticamente estável (-0,5%) frente a 2025, com receita de US$ 14,17 bilhões, alta de 14,1%.

E o consumidor com isso? Em tese, menos carne indo para fora significa mais oferta interna, o que poderia aliviar preços. Na prática, os dados que encontramos não mostram esse alívio no varejo, e a arroba segue em patamar elevado. Não existe relação automática entre uma coisa e outra, e por isso evitamos prometer queda de preço no açougue. Segundo a Compre Rural, citando a Safras com dados da Secex, outubro mostra uma leve reação: média diária de 9,80 mil toneladas nos primeiros 11 dias úteis, cerca de 5,5% acima de setembro, mas ainda perto de 26% abaixo do pico de julho. Trata-se de dado parcial, que só será consolidado no início de novembro.

Dois bifes de carne bovina crua sobre pedra escura
Corte bovino cru: com a arroba alta, escolher bem o corte faz diferença na conta.

Frango e espetinho ganham espaço

Se a carne bovina pesa, o consumidor reage. Um estudo da Scanntech Brasil, noticiado pelo TNH1 em 23 de maio de 2026, mostrou que os cortes de frango custam, em média, 44% do preço da carne bovina. Em 2025, a cada 950 gramas de frango levadas para casa, o consumidor comprou 586 gramas de carne bovina. O mesmo levantamento registrou alta de 24% nas vendas do varejo alimentar no dia anterior aos jogos do Brasil.

É um dado de maio, ligado à Copa, então vale como retrato de comportamento, não como número de hoje. Mesmo assim, a lógica continua válida em outubro: quando o boi está caro, o espetinho de frango, a linguiça e a asinha entram na jogada. Se você quer testar, nosso guia da asinha de frango na churrasqueira mostra o ponto certo para ficar crocante por fora e suculenta por dentro.

Festival da Carne: assadores já planejam o fim de ano

Enquanto o consumidor faz conta, quem vive de churrasco segue a todo vapor. A A Crítica de Campo Grande conta que a 4ª edição do Festival Internacional da Carne, encerrada em 27 de setembro no Parque de Exposições Laucídio Coelho, reuniu mais de 30 estações de assadores. Entre elas, a do assador Leandro Santos, o Chama o Lê, que começou com espetinhos há seis anos e hoje atende de mil a quatro mil pessoas por evento.

Segundo a reportagem, ele fez 46 churrascos em um mês no ano passado e pretende chegar a 80 eventos entre novembro e dezembro de 2026. Os cortes mais pedidos, de acordo com ele, são o ancho e o contrafilé. Dá para ver que a demanda de fim de ano está aquecida, mesmo com o preço alto da matéria-prima. Se você gosta de cortes macios, confira também como assar a capa de filé na churrasqueira.

O que isso muda no seu churrasco

Juntando as peças, o quadro é este: arroba em recorde, exportação em queda por causa da China, consumidor migrando para o frango e assadores profissionais lotando a agenda de dezembro. Para quem vai acender a brasa em casa, algumas atitudes práticas ajudam:

  1. Misture proteínas. Frango, linguiça e um corte bovino de destaque rendem mais por pessoa e seguram o custo.
  2. Calcule a quantidade. Entre 400 g e 500 g de carne por adulto, como usam várias estimativas de preço, costuma ser suficiente.
  3. Antecipe as compras de fim de ano. Se a arroba continuar subindo, dezembro tende a ser mais caro. Comprar cortes que congelam bem em novembro pode compensar.
  4. Compare cortes. Nem todo corte sobe igual. Pesquise o preço do dia antes de decidir entre alcatra, maminha, fraldinha ou ancho.
  5. Cuide do que já comprou. Tempero na medida e ponto certo na brasa evitam desperdício, o que, com carne cara, vale dinheiro.

Uma avaliação honesta: ninguém sabe ao certo se a arroba chega mesmo aos R$ 400 até dezembro. O que dá para fazer é planejar com folga e não se deixar levar pela pressa da véspera.

Espetinhos de frango e linguiça na churrasqueira
Frango e linguiça na brasa: alternativa que equilibra a conta do churrasco.

Conclusão

O domingo de 25 de outubro encontra o churrasqueiro brasileiro diante de um mercado de carne bovina pressionado: arroba perto de recordes, exportações menores por causa da salvaguarda chinesa e um fim de ano que promete demanda forte. A boa notícia é que o churrasco continua possível com escolhas inteligentes, e o frango segue como aliado do orçamento. Amanhã voltamos com mais notícias do mundo da brasa.

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Perguntas frequentes

Por que as exportações de carne bovina caíram em setembro?

Segundo a Abiec, via Safras & Mercado, a queda de 35,1% se deve principalmente à salvaguarda chinesa, que reduziu em 93,2% o volume enviado à China.

A arroba do boi gordo bateu recorde em outubro?

Sim, em termos nominais: a arroba chegou a R$ 369,90 pelo Cepea no início do mês, segundo o Seu Crédito Digital. Os preços futuros ainda são apenas expectativa.

Vale trocar carne bovina por frango no churrasco?

Depende do gosto, mas o estudo da Scanntech indica que o frango custa em média 44% do preço da carne bovina, o que ajuda a segurar a conta.

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